Por um futuro de cooperação e criatividade.
Plataforma virtual de discussão pública acerca da Educação que queremos.
segunda-feira, 14 de julho de 2014
Agenda por uma Educação de qualidade
Chega de lutas corporativas, precisamos de uma Agenda comum na Educação, que possa unir Professores, Encarregados de Educação, Alunos.
Estamos a perder o muito por que se lutou durante anos.
Caminhamos a passos largos para uma Educação de pior qualidade com um crescente número de baixas, em todas as frentes.
Um miúdo que não gosta da escola é uma baixa, um professor que já não se preocupa é uma baixa, um Encarregado de Educação que não participa é uma baixa.
É uma guerra, existem muitos falsos iluminados a apontarem caminhos, recorrendo a palavras como rigor, excelência, exigência mas que nas suas visões economicistas se traduzem por intolerância, repetição, exclusão.
Esta não é a Educação que queremos, esta não é a Educação de que precisamos!
Isto nem sequer se deveria chamar Educação, deveria chamar-se linha de montagem, produção em massa de refugo, cidadãos com defeito que em breve serão vendidos a preço de saldo.
A Educação diz respeito a todos.
Não pode permanecer uma luta sindicalizada, é uma batalha que deve mobilizar um país.
Sem uma Escola Pública de referência, norteada por princípios humanistas, não vai haver futuro.
E não é uma ameaça, é um facto.
Para começar é necessário criar uma Plataforma para discutir ideias.
Proponho uma Agenda, com 10 medidas a serem debatidas, para a partir daí se exigirem as transformações necessárias.
#1 Turmas mais pequenas,( o número ideal situa-se entre os 15 e os 20, o número de alunos condiciona a disponibilidade para apoiar e aproximação necessária, existem estudos a suportar esta ideia, Robert J.Rios, por exemplo, explica inclusive como o custo elevado de turmas mais pequenas é rentabilizado ao fim de alguns anos através por exemplo do número mais reduzido de retenções, ou até da melhoria de perspectivas de emprego de pessoas mais qualificadas face a pessoas com fracas qualificações formais, que
terá impacto nos gastos com prestações sociais a médio prazo)
#2 Respeito pelos Professores como pedra base de um sistema que assenta tanto na competência técnica (domínio dos conteúdos) como nas ferramentas humanas( capacidade de comunicar, empatia, estratégias diferenciadas)
#3 Exposição permanente à Arte ( uma das linhas diferenciadoras de uma comunidade é o grau de participação na vida cultural, para que tal aconteça é necessário promover um contacto próximo com objectos artísticos de elevada qualidade que permitam a aquisição de gramática estética básica)
#4Educação para uma sustentabilidade consciente. ( pode ser transversal ou incluir-se na área da cidadania, é preciso transformar consumidores em fazedores, recicladores activos e conscientes das limitações dos recursos e da sua utilização justa, para além da retórica vazia, para além dos desfiles de carnaval com fatos executados em material reciclado, todos os dias em todas as opções, procurar e implementar alternativas)
#5 Privilegiar a resolução criativa de problemas. Não é uma moda transitória é uma competência fundamental para sobreviver num mundo em colapso, se o sistema está moribundo só a criatividade será capaz de propor soluções.
#6 Mais tempo para ensinar e menos tempo para avaliar. A vertigem avaliadora dos últimos anos tem consequências na qualidade e na duração dos conhecimentos adquiridos. A prevalência do trabalho sobre a memória de curta duração, a ausência de aprofundamento das matérias e as dificuldades que os professores sentem em explorar conteúdos para além da óptica funcional de resposta condicionada e única.
#7 Tempo para tudo e tempo para nada. Nem todas as aprendizagens se fazem pela via formal, aadémica. O tempo da escola e da aprendizagem formal são um eixo na vida dos estudantes mas o outro tempo, o tempo fora da escola não pode ser completamente invadido por actividades pré-estruturadas, as crianças com menos actividades aprendem a gerir melhor o seu tempo de forma autónoma, o tempo não condicionado é essencial para um desenvolvimento equilibrado. Os conteúdos programáticos devem ser estruturados tendo como premissa fundamental o tempo escolar disponível, dentro do horário lectivo, os trabalhos de casa devem ser tarefas que possam ser realizadas de forma autónoma sem exigir competências pedagógicas ou conhecimentos formais aos encarregados de educação, caso contrário acentuam-se a diferenças de origem aquelas que a escola deve ter por objectivo atenuar.
#8 Abolição total de qualquer tipo de descriminação dos alunos com origem no estatuto económico, social, religioso ou cultural das famílias,( por exemplo os apoios económicos devem ser conhecidos por um grupo restrito de pessoas dentro da comunidade escolar, apenas as necessárias, evitando exposições a preconceitos e o baixar de expectativas face às possibilidades de sucesso).
#9 Actividade física estimulante, adequada à idade e capacidades físicas dos alunos, seja nos recreios, seja em actividades estruturadas, subir a árvores, saltar na lama, dançar, dependendo das possibilidades do recinto escolar, tirar o máximo partido mesmo que sejam necessários professores e técnicos para acompanharem.( o sedentarismo precisa ser combatido, como doença e como sintoma) Muitos diagnósticos de DAH (défice de atenção e hiperactividade nascem de uma incapacidade em compreender o quanto a actividade física e exploratória faz falta às crianças, é preciso libertar-mo-nos da psicose securizante que amarrou meninos e meninas aos televisores)
#10 .......................................................................................................
Está tudo em aberto, este é apenas um repto para se pensar em comum
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